Na estrada, eu e os outros

Ontem de manhã, mal tinha saído pra trabalhar, nem estava na BR ainda, passei por um acidente – um atropelamento, acho. Foi o quinto acidente que vi desde que comecei a trabalhar em Biguaçu. Cinco em dois meses, em uma BR, pode até não parecer muito. Mas eu só dirijo uma hora e meia por dia, e nem todos os dias. Imagino que tenha vários outros em outros horários. Isso tem me incomodado bastante. O dia, que já não tinha começado nada doce, amargou de vez.

Não tenho medo de dirigir. Também não tenho medo de BR, acho até mais tranquilo dirigir na estrada do que no trânsito louco da cidade. E acho também que dirijo bem! Se, em outros momentos, sou um poço de distração, passo a ser a pessoa mais atenta do mundo ao volante. Dificilmente algo me pega de surpresa, porque procuro estar sempre atenta ao carro do lado, ao da frente e até àquele que vem lá atrás. Já escapei de bater, por exemplo, em carros que passaram do acostamento pra pista em baixa velocidade, logo à minha frente, porque sabia que tinha tempo suficiente pra mudar de pista sem risco de o carro de trás bater em mim. Presto atenção, não ando em alta velocidade, evito atrapalhar outros motoristas, respeito a sinalização e faço o possível pra não cair na ideia de que conheço bem o trajeto, observando sempre se há um novo buraco, água acumulando em lugar diferente ou qualquer coisa assim. Sei lá, vai que uma curva muda de lado…

O que me incomoda é que, por mais que eu cuide, posso me envolver em um acidente por causa de um inconsequente qualquer. Tem muita gente por aí dirigindo no mundo da lua, em alta velocidade, bêbado, sem carteira de motorista, sem nem saber dirigir direito. Por isso, dirijo com o maior cuidado, mas rezando pra que um louco desses não cruze o meu caminho.

Um dos motivos de eu ter saído do trabalho anterior foi o cansaço por tanto dirigir. Espero, de verdade, que isso não aconteça dessa vez também (acho que nem vai dar tempo, já que o contrato é temporário). Mas quero, o quanto antes, morar perto do trabalho. Ou trabalhar perto de casa, a essa altura tanto faz.

Em tempo: mal saí do trabalho, voltando pra casa, passei por outro acidente. O sexto…

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